Em discurso nesta quarta-feira (21) no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o presidente Donald Trump alegou que os Estados Unidos se tornaram “donos” da Groenlândia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e “devolveram” o território à Dinamarca após o conflito. É #FAKE.
? O que Trump disse?
- Em seu pronunciamento, Trump procurou justificar, mais uma vez, diante de líderes europeus, por que os EUA deveriam tomar o controle da Groenlândia. A ilha pertence à Dinamarca desde 1814.
- Em determinado momento do discurso, o presidente afirmou: “Colocamos bases militares na Groenlândia para defendê-la e salvá-la. Fortificamos a Dinamarca. Impedimos que os inimigos [alemães, durante a 2ª Guerra Mundial] conquistassem a Groenlândia. Demos a Groenlândia de volta para a Dinamarca, que ideia estúpida. E olha o quão ingratos eles são agora […]. Deveríamos tê-la mantido”.
Mas isso não é verdade. A história começa em 1940, quando a Alemanha nazista ocupou a Dinamarca. Em 9 de abril do ano seguinte, os EUA assinaram o acordo “Defesa da Groenlândia” com o embaixador dinamarquês. O documento, que tornou a ilha uma espécie de “protetorado” dos americanos, garantia a construção de bases miliares no território, mas nunca previu a transferência definitiva de “posse” após o fim da guerra (leia mais abaixo).
- Após participar de Davos, Trump disse que o governo americano e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estabeleceram a estrutura de um futuro acordo envolvendo a Groenlândia e, de forma mais ampla, a região do Ártico. Isso marcou um recuo em relação à sequência de recentes ameaças contra o território.
- Desde o início de seu segundo mandato, em 2025, Trump encampou discurso pela anexação da Groenlândia, alegando que o controle do território seria crucial para os interesses de segurança nacional de Washington. Segundo o presidente, um dos desdobramentos da tomada da ilha seria a instalação de um sistema de defesa antimíssil conhecido como “Domo de Ouro”.
- Localizada entre os EUA e a Rússia, a Groenlândia é uma ilha de 2.166.000 km² e vista há muito tempo como uma área de grande importância estratégica, particularmente no que diz respeito à segurança do Ártico (veja infográfico abaixo).
- Os EUA já têm uma base militar na ilha, mas ao longo do tempo reduziram drasticamente sua presença no país, de cerca de 10 mil militares durante o auge da Guerra Fria, para menos de 200 atualmente.
?? Por que é falso?
Ao Fato ou Fake, Vitelio Brustolin, professor de relações internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) detalhou:
“A Alemanha Nazista ocupou a Dinamarca em 1940, surgindo o temor de que a Groenlândia cairia em mãos alemãs. Aí, em 1941, os EUA e representantes dinamarqueses no exílio assinaram um acordo que permitia aos americanos proteger o território e instalar bases e aeroportos. Esse acordo nunca previu nenhuma transferência de posse. Os americanos agiram para ajudar um aliado, mas a Groenlândia nunca foi dos EUA”.
O texto do acordo pôde ser encontrado no site govinfo.gov, pertencente ao Government Publishing Office (GPO, na sigla em inglês), que é uma agência federal americana. O primeiro artigo do acordo diz:
“O governo dos Estados Unidos da América reitera seu reconhecimento e respeito pela soberania do Reino da Dinamarca sobre a Groenlândia. Reconhecendo que, em decorrência da atual guerra europeia, há o perigo de que a Groenlândia possa ser transformada em um ponto de agressão contra nações do continente americano, o Governo dos Estados Unidos da América, tendo em vista suas obrigações decorrentes do Ato de Havana, assinado em 30 de julho de 1940, aceita a responsabilidade de auxiliar a Groenlândia na manutenção de sua posição atual”.
Brustolin recapitula que em 1946, no seguinte à vitória dos Aliados sobre o Eixo, o governo Truman (1945-1953) tentou comprar a ilha Dinamarca: “Foi feita uma proposta formal de US$ 100 milhões em ouro para a Dinamarca, mas foi rejeitada”.
Já em 1951, Estados Unidos e Dinamarca assinaram um novo acordo que permitiu a instalação de bases americanas na ilha.
“O acordo de Defesa de 1951 confirmou a soberania dinamarquesa e levou à instalação de bases militares que podem permitir, inclusive, esse ‘Domo de Ouro’ que Trump quer instalar no território. Além disso, ele possibilitou a consolidação dos EUA dentro da arquitetura da Otan. Em 2009, esse acordo foi revisto, para incluir também os interesses da população local da Groenlândia”, diz Brustolin.
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Fonte G1 Brasília