Um parecer jurídico do Banco de Brasília (BRB) recomendou atenção a operações com o Master quatro dias antes da tentativa de compra da instituição. A informação foi divulgada pela “Folha de S. Paulo” e confirmada pelo blog.
O parecer assinado pelo diretor jurídico do BRB, Jacques Veloso, é de 24 de março de 2025 e diz em suas páginas finais:
“Nesse passo, há que se ressaltar que a observância do índice de liquidez e do índice de Basileia é crucial nas contratações efetuadas pelas instituições financeiras, pois ambos são indicadores essenciais para garantir a solidez e a estabilidade do sistema financeiro. Desta forma, sugere-se sejam os índices apontados considerados quando da deliberação da proposta em comento pela alçada competente.”
Na conclusão do parecer, o diretor pondera que não foram constatadas ilegalidades do ponto de vista jurídico-formal na proposta. Contudo, ressalta, novamente, as orientações observadas.
.cxm-block-video__container–vertical #wp3-player-ciuee .clappr-player .poster__play-wrapper > svg {
width: 50%;
height: 50%;
}
}
Nessa mesma semana, o conselho do BRB aprovaria a compra de 58% do capital do Master.
O valor foi estimado em cerca de R$ 2 bilhões e a operação era vista como um ?alívio? para o Master, que tinha modelo de captação de alto risco e balanços considerados frágeis por órgãos de controle.
Dos questionamentos aos inquéritos
O Ministério Público do Distrito Federal e o Ministério Público de Contas do DF abriram procedimentos para investigar as condições da operação e possíveis irregularidades na aquisição das ações do Master, enquanto o Tribunal de Justiça do DF chegou a suspender temporariamente a assinatura do contrato.
A proposta também enfrentava desconfiança técnica devido ao modelo de captação de alto risco do Master e ao volume de operações financeiras suspeitas que já vinham sendo monitoradas pelo Banco Central.
Logo depois, vieram à tona indícios de fraudes bilionárias envolvendo carteiras de crédito vendidas pelo Master ao BRB, o que levou o Banco Central a aprofundar a fiscalização e a reportar inconsistências à Polícia Federal.
Em setembro de 2025, após meses de pressão política e análise regulatória, o Banco Central rejeitou oficialmente a compra ? mesmo após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já ter aprovado a operação.
Para investigadores do BC e da PF, a negociação funcionaria como forma de ?juntar os balanços? dos dois bancos e acobertar as fraudes já identificadas nas carteiras de crédito que geraram um rombo estimado em mais de R$ 12 bilhões.
O caso evoluiu para fases mais graves: em novembro de 2025, o Master foi alvo de operação da PF, que prendeu seu dono, Daniel Vorcaro, e afastou o presidente do BRB; e, posteriormente, as irregularidades contribuíram para a decretação de liquidação extrajudicial do Master.
Em 2026, um novo inquérito foi aberto para apurar suspeitas de gestão fraudulenta no BRB, consolidando o episódio como um dos maiores escândalos financeiros recentes.
– Esta reportagem está em atualização
Fonte G1 Brasília