Para quem acompanhou de perto as investigações do Banco Master, há uma avaliação clara: o desfecho desse caso não será definido por Daniel Vorcaro, mas pelo funcionamento do próprio sistema: institucional, jurídico e investigativo.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) relator do caso, analisou uma petição da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro informando a intenção de colaboração.
O banqueiro já firmou um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e com a Polícia Federal (PF), o que abriria caminho para uma eventual delação premiada.
Nos bastidores, já está em curso um trabalho para que Vorcaro comece a estruturar seus anexos de delação na superintendência da Polícia Federal. Esse processo é visto como decisivo, mas não isolado. O foco agora está na engrenagem que vai analisar, validar e eventualmente homologar esse material.
A principal preocupação no entorno do ministro André Mendonça é como a Procuradoria-Geral da República vai atuar. A avaliação é de que o comportamento da PGR será determinante para o ritmo e a consistência da delação ? e, por isso, o acompanhamento será próximo.
Mendonça tem repetido a interlocutores que só admite homologar uma delação que seja considerada séria, consistente e não seletiva. A expectativa entre investigadores é de que, se avançar, esse processo leve menos de seis meses para ficar pronto.
O momento, portanto, é de transição: menos sobre versões individuais e mais sobre a força do sistema em filtrar, cruzar provas e dar destino ao que vier à tona.
Em um cenário em que todos são players e têm interesses próprios, a delação de Vorcaro se tornou o centro das atenções: com todos os olhos voltados para o que ela pode revelar e, principalmente, para como será conduzida.
Fonte G1 Brasília