Os chanceleres da Venezuela, Carl Barrington Greenidge, e da Guiana, e Yván Gil Pinto, afirmaram nesta quinta-feira (25) que os dois países continuam dispostos a retomar o diálogo.
Eles participaram de reunião conjunta no Palácio Itamaraty, em Brasília. O encontro foi mediado pelo ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira.
A reunião teve como pano de fundo a crise causada pela reivindicação da Venezuela sobre a região de Essequibo, hoje reconhecida como parte do território guianês.
“Nós também salientamos à delegação de venezuelanos que a Guiana segue comprometida em resolver a controvérsia que a Venezuela tem com a decisão de 1988 do tribunal arbitral de um jeito muito pacífico. Nós reiteramos nosso apoio e compromisso com a Carta da ONU, que inclui o respeito à lei internacional e ao acordo de 1966 de Genebra, que está dentro da lei internacional”, disse o chanceler da Guiana.
“A Venezuela e o governo do presidente Nicolas Maduro está plenamente comprometido em buscas alternativas que nos permitam chegar a uma solução mutuamente aceitável, no referendo, ou na controvérsia que temos na Guiana Essequiba e também impulsionar as relações de cooperação e integração entre Guiana e Venezuela. Nós nos sentimos realmente satisfeitos. Vamos com muitas expectativas às futuras discussões. Ainda há muita matéria a discutir”, afirmou o ministro venezuelano.
Do lado brasileiro, o ministro Mauro Vieira afirmou que, na conversa desta quinta, a Venezuela e Guiana expressaram entendimento acerca do compromisso para com o diálogo e a paz. Além disso, que os dois países apresentaram suas propostas de agenda de trabalho para uma possível nova reunião entre as duas partes, que também poderá ser realizada no Brasil.
“Comprometeram-se, reconhecidas as diferenças de lado a lado, a seguir dialogando com base nos parâmetros estabelecidos pela declaração de Argyle. Agradeço a participação dos chanceleres da Venezuela e da Guiana nas conversas de hoje. Assim como a presença dos atores regionais, como São Vicente e Granadina, como representação da Celac, assim como a ONU, que observou e participou dos trabalhos”, afirmou Mauro Vieira.
Disputa entre Venezuela e Guiana
A Venezuela afirma ser a verdadeira proprietária da região de Essequibo, um trecho de 160 quilômetros quadrados que corresponde a cerca de 70% de toda a Guiana e atravessa seis dos dez estados do país. A área é rica em recursos naturais.
A realização de um referendo, no ano passado, reascendeu a disputa, de décadas, e o temor de um conflito armado na fronteira com o Brasil.
Lula visitará a Guian
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se prepara para viajar à Guiana, para a cúpula da Comunidade dos Estados do Caribe (Caricom), que acontece no dia 28 de fevereiro.
Diplomatas veem na viagem para a cidade de Georgetown um recado do governo brasileiro para a Venezuela.
O bloco é composto por 20 países do Caribe, sendo 15 estados-membro e cinco associados. O Brasil participará como convidado do encontro, já que não integra o bloco.
Lula tem como uma de suas prioridades na agenda externa a integração dos países da América Latina, além do diálogo com países próximos, como os caribenhos.
Em dezembro de 2023, Lula mencionou intenção de participar do encontro, para falar sobre financiamentos e sobre democracia. Mas, segundo fontes do Palácio do Planalto, a ida do presidente à Guiana também é lida como um recado forte à Venezuela de Nicolás Maduro, que reivindica a região de Essequibo, no território guianense.
Fonte G1 Brasília