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Associação médica critica ‘comício’ de Bolsonaro em visita ao Conselho Federal de Medicina

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A Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) criticou nesta quinta-feira (28) uma reunião organizada na véspera pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) com o presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL).

A entidade classificou como “comício” o discurso político que Bolsonaro fez para médicos na sede do Conselho Federal.

O presidente falou aos médicos na manhã de quarta-feira (27), em um compromisso não previsto na agenda oficial.

No pronunciamento, Bolsonaro criticou as urnas eletrônicas, exaltou ações do governo na pandemia e voltou a defender remédios ineficazes contra a Covid.

O Palácio do Planalto não informou qual foi o intuito da visita de Bolsonaro ao CFM. A assessoria da campanha do presidente disse que ele foi ao local para ouvir demandas dos médicos.

“O que foi presenciado, infelizmente, foi simplesmente um evento político, um verdadeiro e autêntico comício, com alusão às candidaturas de deputados e senadores, além do claro alinhamento do CFM com as ações do atual governo, sem um consenso da comunidade médica, evidenciadas por recentes publicações e esclarecimentos inclusive da Associação Médica Brasileira”, disse em nota o presidente da ABHH, José Francisco Comenalli Marques Junior.

Segundo a associação médica, o convite para a reunião assinado pelo presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, foi recebido na segunda-feira (25) e tinha como pauta ?assuntos de interesse da categoria?.

Na nota, a entidade demonstrou “descontentamento” com a mudança da pauta do encontro e afirmou que se prontificou a participar de uma “reunião de debate evolutivo para ações que pudessem contribuir para a melhoria contínua da Saúde Pública brasileira e do SUS, e não eleitoreira, como se configurou”.

De acordo com a associação, o convite se dirigia às sociedades de especialidades médicas, mas nem todas foram convidadas.

Conselho diz não ter posição política

Questionado pelo g1 sobre as críticas da Associação Brasileira de Hematologia ao encontro, o CFM afirmou que defende “os interesses de médicos e pacientes sem adotar um posicionamento político, partidário e ideológico” e que está aberto a receber autoridades e lideranças interessadas em debater saúde e medicina.

O conselho não se pronunciou sobre o conteúdo da fala de Bolsonaro durante a visita à entidade.

“Importante notar que durante a reunião citada a manifestação do CFM, por meio de seu presidente, José Hiran da Silva Gallo, se ateve sobre questões importantes para o país — definição de políticas públicas para o trabalho médico, aumento de investimento na saúde, melhoria da infraestrutura de hospitais e postos de saúde, qualificação do ensino médico e transparência na gestão pública. Todos esses pontos, que coadunam com a pauta proposta, estão presentes na manifestação feita na tentativa de sensibilizar os gestores e parlamentares para esses tópicos”, afirmou o CFM.

Nota

Leia abaixo a íntegra da nota da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) :

ABHH questiona mudança de pauta de reunião convocada pelo CFM com a Presidência da República

Como é do conhecimento de muitos, na última segunda-feira (25), a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), em nome de seu presidente Dr. José Francisco Comenalli Marques Junior, foi convidada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), assinada pelo seu presidente José Hiran da Silva Gallo, para uma reunião presencial nesta quarta-feira, 27 de julho de 2022, em Brasília (na sede do Conselho), com o Presidente da República Jair Messias Bolsonaro e o Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Esse convite foi direcionado ao ?Aos senhores presidentes das Sociedades de Especialidades Médicas?, mas ficamos sabendo que nem todas as Sociedades médicas receberam esse convite.

A pauta da reunião, adiantada aos convidados pelo referido convite formal, informava que seriam debatidos ?assuntos de interesse da categoria?, no seu ítem 2.

Ciente de seu compromisso e responsabilidade em prol do contínuo avanço da Saúde e da Ciência, o Acesso Universal dos cuidados da saúde a todos os brasileiros e brasileiras, entre outros assuntos, o convite foi aceito, por considerar uma oportunidade de contribuir com a Saúde Pública no nosso País, tendo em vista que se tratava, a priori, de uma ação de Estado. Porém, o que foi presenciado, infelizmente, foi simplesmente um evento político, um verdadeiro e autêntico comício, com alusão à candidaturas de deputados e senadores, além do claro alinhamento do CFM com as ações do atual governo, sem um consenso da comunidade médica, evidenciadas por recentes publicações e esclarecimentos inclusive da Associação Médica Brasileira, AMB.

Apartidária, a ABHH se pronuncia sobre o ocorrido, evidenciando seu descontentamento com o claro desvio da pauta da reunião convocada pelo CFM. Ciente de estarmos às vésperas de uma corrida eleitoral de caráter extremamente sensível e polarizada, a ABHH se prontificou a participar de uma reunião de debate evolutivo para ações que pudessem contribuir para a melhoria contínua da Saúde Pública brasileira e do SUS, e não eleitoreira, como se configurou.

A ABHH reforça, nessa oportunidade, sua missão de representar a comunidade de profissionais da área de hematologia, hemoterapia e terapia celular; promover, orientar e defender políticas e medidas que determinem a ética, o reconhecimento, a dignidade e a valorização da especialidade; prezar pela qualidade e equidade no tratamento dos pacientes e nos serviços no escopo das especialidades que atua; garantir aos profissionais mais jovens programas técnicos e educacionais para nortear a formação de qualidade e estimular a entrada adequada no mercado de trabalho; atrair novos profissionais para a especialidade; estimular a multidisciplinaridade no desenvolvimento dos profissionais da área como forma de apoiar iniciativas conjuntas para a melhoria constante na educação, atendimento e pesquisa das áreas envolvidas e, mais uma vez se demonstra contrária a qualquer tipo de aparelhamento partidário que contraponha aos princípios da ética médica.

Dr. José Francisco Comenalli Marques Jr.

Presidente da ABHH

Fonte G1 Brasília

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