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Caso de justiceiros no Rio mostra que o sistema está falido: o estado desapareceu

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Outubro de 1992. É véspera de eleições para prefeitura do Rio de Janeiro, e uma equipe de TV, que está na Pedra do Arpoador para registrar o pôr-do-sol, flagra um arrastão na praia. Como tudo que acontece no Rio em termos de segurança pública, a repercussão é nacional.

Os dois candidatos a prefeito falam sobre o assunto. Benedita da Silva, candidata do PT, atribui o arrastão a um problema social. Cesar Maia, farejando uma guinada do eleitorado para direita, propõe chamar tropas federais para resolver o problema. O Exército.

Como até hoje, a esquerda falava em prevenção, e a direita, em repressão. Os dois discursos apontavam para sentidos opostos, mas tinham um ponto convergente: incluíam o estado como um ator principal para trazer de volta a paz à sociedade. Ou desenvolvendo políticas sociais, como defendia Bendita, ou aumentando a repressão, como propunha Maia.

Vinte e um anos depois, no mesmo cenário, novas imagens sacodem o país. Desta vez, captadas por câmeras instaladas nas ruas e nos prédios (Brizola não poderia falar em armação da imprensa, como acusou em 1992). As cenas são de brutalidade gratuita e, portanto, assustadoras e chocantes.

Ao contrário de 1992, desta vez, políticos e o próprio poder estatal ficam em segundo plano. Uma brincadeira de mau gosto viralizou na internet. Anunciava luto pela morte do governador Cláudio Castro. Uma crítica macabra, mas compreensível, pelo fato de a autoridade máxima do estado ter sumido na crise.

A internet não expôs apenas a morte simbólica dos agentes políticos. Anunciou também a falência do próprio estado, já que a proposta para solucionar o arrastão de 2023 é fazer justiça com as próprias mãos.

A imagem que rapidamente se espalhou pelos grupos de WhatsApp de moradores da Zona Sul mostrava dois tacos de beisebol e a inscrição “Zona Sul, acabou o amor”. A proposta é a união de moradores para “caçar ladrões”.

O fenômeno, que já foi registrado em 2015, não é exatamente uma novidade na Zona Sul do Rio de Janeiro. Novidade, agora, é a força que o discurso de que “não adianta prender” ganha força. Não adianta prender significa não adianta estado, não adianta a lei, não adianta a justiça. E o pior: esse discurso ganha força amparado por fatos.

Por exemplo, um dia antes de um fã da Taylor Swift ser morto a facadas, um dos suspeitos presos pelo crime havia sido detido por furtar 80 barras de chocolate de uma loja de departamentos. Ele passou por uma audiência de custódia no sábado à tarde e foi solto. Gabriel Mongenot Santana Milhomem Santos, de 25 anos, foi morto no domingo.

A juíza do caso determinou a liberdade provisória e a imposição de medidas cautelares, como a necessidade de comparecimento mensal em juízo e a proibição de frequentar a loja furtada. O outro detido já havia sido abordado 56 vezes por agentes do programa Segurança Presente de Copacabana.

Quando é fixado na mente da população a mensagem de que a polícia prende e a Justiça solta, abre-se a oportunidade de surgimento de outro tipo de barbaridade, que são esses grupos de justiceiros.

Já vimos em outras ocasiões a notícia de pessoas que procuram a ajuda de traficantes quando começam a presenciar aumento de roubos em certa localidade. Em 2005, o telefone grampeado do traficante Bem-Te-Vi mostrou uma ligação do goleiro da seleção brasileira, Julio Cesar, cobrando providência contra “moleques ” que estavam roubando motoristas de carro perto da Rocinha.

Quando a população não procura a polícia, o Estado, isso mostra que o sistema está colapsado. Ninguém mais quer esperar as “medidas sociais” defendidas pela esquerda porque na segurança existe o dia seguinte, o amanhã.

A vida é para agora, e ninguém pode esperar mais duas décadas por um país menos desigual e mais justo desenhado pelos discursos políticos. Por outro lado, o discurso fácil da direita de “chamar o Exército” finalmente caiu no ridículo, depois de tantas operações desastrosas.

Como não existe vácuo em segurança pública, surgiu o taco de beisebol. Nem prevenção, nem repressão e muito menos o poder estatal. O arrastão de 2023 mostrou que o Brasil deu passos largos em direção à barbárie.

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Fonte G1 Brasília

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