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Direita ou extrema direita; esquerda ou extrema esquerda: entenda as diferenças entre correntes políticas

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Com o desempenho histórico da política Marine Le Pen no primeiro turno das eleições legislativas da Franças, o termo extrema direita foi um dos mais discutidos nos últimos dias. Neste domingo (7), as pesquisas de bocas de urna indicam que o partido de Le Pen ficará em terceiro. A esquerda lidera.

Já no Reino Unido, os conservadores amargaram uma derrota para o Partido Trabalhista, e viram a volta da centro-esquerda britânica ao poder, após 14 anos.

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No Brasil, Balneário Camboriú (SC) recebe, neste fim de semana, um fórum conservador liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, que virá ao Brasil pela primeira vez para participar da iniciativa, sem previsão de encontro com Lula.

As definições entre direta, esquerda, extrema direita e extrema esquerda têm se alterado ao longo dos séculos, e representam nuances diferentes de acordo com contextos sociais e políticos. Em um cenário polarizado, com eleições cada vez mais acirradas entre os espectros ideológicos, inclusive no Brasil, surge cada vez mais a dúvida sobre o que caracteriza essas correntes.

? Entenda abaixo onde os conceitos surgiram e o que pode ser usado para caracterizá-los ao longo dos anos, bem como no contexto atual, no Brasil e ao redor do mundo.

A criação desses espectros políticos tem origem na Revolução Francesa (1789). Ao longo dos séculos, os conceitos foram transformados e passaram a adquirir significados distintos, conforme a organização social e o período histórico.

  • Vale destacar que essas definições não são absolutas, e até mesmo partidos políticos e governos adotam nuances de um lado e de outro.

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Principais diferenças

Segundo a professora Flavia Loss, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FEPESP), a principal diferença entre as duas visões de mundo, conforme a designação tradicional da ciência política, é o entendimento sobre desigualdades: social, econômica, racial e cultural, por exemplo.

  • Para a esquerda, as desigualdades são criadas artificialmente e são negativas, devendo ser superadas por meio do papel ativo do Estado.
  • Para a direita, as desigualdades são naturais e positivas, devendo ser superadas através do mérito pessoal.

No caso do Brasil, segundo a especialista, costumamos nos atentar mais às propostas de cada espectro sobre economia e papel do Estado.

  • Nessa concepção, a esquerda defende que o Estado tenha maior participação na economia para torná-la mais justa e igualitária;
  • enquanto a direita está associada às ideias do liberalismo econômico (livre mercado e menor intervenção estatal).

“É importante observar que, quando essas ideias são aplicadas ,não costumam ser dogmáticas. Pelo contrário, a prática da política mostra que os governos adaptam vários desses princípios. A China, por exemplo, tem uma economia capitalista, mas possui instituições políticas definidas como comunistas.

Desafio dos tempos atuais

Essas definições estavam mais claras e bem estabelecidas em contextos políticos mais antigos.

No cenário político atual, segundo o professor Glauco Peres, do departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP), “o que tem distinguido a esquerda da direita são as questões que se referem à pauta moral”.

“A esquerda, principalmente a esquerda eleitoral, vai pregar mudanças no status quo. Ou seja, no sistema e costumes vigentes. Por exemplo, a partir do acesso a políticas públicas, direito à igualdade entre os cidadãos, enquanto a direita prega pela manutenção dos costumes, dos valores, e da realidade vigente”, destaca.

“Agendas de costumes, como a liberdade do direito ao corpo com relação ao aborto e de identidade de gênero, bem como a redução de desigualdades, por exemplo, são agendas mais ligadas à esquerda. A direita, por sua vez, prega a manutenção da ordem e a força na segurança pública, a propriedade privada e a meritocracia”, afirmou.

Na avaliação dos especialistas, existe ainda o centro, que busca conciliar ambas as perspectivas, defendendo a redução das desigualdades e a liberdade individual.

“Com a polarização política recente, o centro tem perdido eleitores em vários países, e um exemplo disso é atual presidente francês, Emmanuel Macron, político de centro que está acumulando derrotas em meio à radicalização do debate naquele país”, destaca Flávia Loss.

Macron está perdendo espaço para o espectro liderado por Marine Le Pen.

Símbolo de um movimento político historicamente escanteado em território francês, ela se destaca entre parte do eleitorado com defesa de políticas anti-imigração, retirada do apoio da França à Ucrânia na guerra, e o abandono a medidas para amenizar mudanças climáticas, com mais incentivos a indústrias francesas.

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Extremos do espectro

No caso de ideias extremistas, estamos falando de correntes que são contrárias às instituições e defendem mudanças radicais na forma de organizar o Estado, a economia, a Justiça e até mesmo as relações entre os indivíduos.

No caso da extrema-direita, essas ideias se refletem, por exemplo, em discursos contrários a minorias dentro da sociedade (como imigrantes ou adeptos de uma religião específica) e a uma defesa exagerada de nacionalismos, em contraposição à integração entre os países numa escala global.

São princípios que, na base, até partem de uma visão de direita, mas radicalizam na dose, na interpretação e na aplicação.

“Mesmo que os partidos de extrema direita sejam muito diferentes na América Latina e na Europa, por exemplo, podemos reconhecer um traço comum: os discursos antissistema e as propostas radicais de mudanças“, destaca Flávia Loss.

A extrema esquerda é chamada assim pelo mesmo motivo: possui propostas radicais sobre como o Estado deve ser administrado e para a superação do capitalismo.

Ou seja, tem um caráter de subversão do atual modelo em que a sociedade se organiza e de ataque a instituições do capitalismo, como o livre mercado.

A extrema esquerda parte de princípios de esquerda para chegar a conclusões inflamadas, como o total controle da economia pelo Estado e uma total interferência estatal nas dinâmicas produtivas. Além disso, tem um forte discurso antiempresarial.

Fonte G1 Brasília

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