O ex-diretor-geral da Polícia Federal (PF), Márcio Nunes, prestou depoimento na quinta-feira (11) à tarde no inquérito sigiloso que apura a suspeita de que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) agiu para dificultar o acesso de eleitores às urnas, especialmente no segundo turno, no Nordeste. O principal investigado é o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres.
No depoimento, segundo fontes da investigação, Márcio Nunes alinhou o discurso ao do ex-ministro. De acordo com as fontes, o então diretor-geral da PF disse que foi à Bahia com Anderson Torres para visitar obras na superintendência regional e teriam aproveitado a viagem para conversar sobre a estrutura de policiamento no segundo turno.
Mas o depoimento de Márcio Nunes ? assim como o de Anderson Torres ? não convenceu os investigadores, que enxergam conflitos e contradições com as circunstâncias que de fato ocorreram.
De acordo com os 3 delegados que integravam a cúpula da PF na Bahia à época, a motivação da visita de Torres e Nunes foi política. Não era esperada. Foi de última hora e pegou a todos de surpresa.
A reunião foi na terça feira, 25 de outubro, por volta das 11h. Durou meia hora. Segundo os delegados presentes, Anderson abriu a conversa dizendo que estava preocupado com crimes eleitorais, especialmente compra de votos, porque teve notícias de compra de voto na Bahia no primeiro turno. E que seria importante a PF reforçar a presença nas ruas com 100% do efetivo se possível. E sugeriu atuação conjunta com a PRF.
Depois do encontro, recebido com desconfiança pelos delegados presentes, eles saíram para almoçar. O almoço atrasou e quase que não dá tempo de visitar a obra da reforma da sede da PF. Ou seja, para a cúpula da PF na Bahia, o escopo da viagem nunca foi visitar a reforma do prédio da corporação. A tônica da visita foi eleições.
Fonte G1 Brasília