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Em vídeo de 2015, Sachsida diz que mulheres recebem menos porque engravidam e vão mais ao médico

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O novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, afirmou em um vídeo publicado em dezembro de 2015 que mulheres recebem salários menores porque engravidam, cuidam dos filhos, vão mais ao médico e preferem jornada de trabalho menor.

O nome do vídeo é “Aprenda Economia com o Sachsida: Aula 07”. A descrição do vídeo exibe a seguinte mensagem: “Nessa aula estudaremos sobre discriminação e sobre políticas de ação afirmativa, tais como as quotas para mulheres e negros.” O conteúdo do vídeo foi revelado pelo site do jornal “Folha de S.Paulo”.

O g1 procurou a assessoria de Sachsida e aguardava resposta até a última atualização desta reportagem.

Durante a gravação de 2015, Sachsida dá um exemplo hipotético de um homem e uma mulher que produzem “igualzinho”, mas que a mulher faz “mais” em casa. Ele, então, questiona quem seria promovido em uma empresa e responde que seria o homem.

“Você vai lá e fala assim: ‘Ai, está vendo? Na hora de promover, promoveu o homem, é discriminação’. Não, não necessariamente. Existem outras explicações condizentes com ideias de maximização de lucro do empresário que não são discriminação. É simplesmente um comportamento racional do empresário”, diz Sachsida no vídeo.

“Se o casal tiver um filho, provavelmente é a mulher que vai cuidar do filho. Aí, você vira para mim e fala: ‘Mas, Adolfo, o homem fica bêbado mais que a mulher’. Fica, fica. Então, menos para o homem nesse ponto. Mas, também, quem vai mais ao médico? A mulher. Então, ela vai faltar mais para ir ao médico. O empresário está fazendo essas contas”, acrescenta.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em média, as mulheres ganham 20,5% menos que homens no Brasil mesmo quando se compara trabalhadores do mesmo perfil de escolaridade e idade e na mesma categoria de ocupação.

Para Sachsida, “muito do que nós chamamos de discriminação contra a mulher é porque às vezes ela é obrigada a sair do mercado de trabalho para ter filhos”.

“Homem não fica grávido, mulher fica. Qual é a idade que mulher costuma ficar grávida? Entre 20 e 30 anos. O que acontece é o seguinte: se você pegar, vai ver que entre os 20 e os 40 anos de idade é que o seu salário dá grandes pulos. […] Só que essa faixa coincide também com a época em que a mulher sai do mercado porque teve filho. Então, parte da experiência que ela deveria acumular no período não acumula porque, basicamente, ela está cuidado do filho. Não estou dizendo que isso está errado, estou dizendo apenas como funciona”, diz Sachsida.

Na sequência, o novo ministro de Minas e Energia se diz contra licença maternidade de seis meses porque, para ele, a medida é um crime contra a própria mulher.

“Isso, para mim, é criminoso contra a mulher. Você dá licença de seis meses para a mulher é mais ou menos como chegar ao empresário e falar: ‘Não promova a mulher porque, se ela engravidar, ela vai ficar fora seis meses da empresa’. Você consegue imaginar uma empresa ficar seis meses sem seu gerente? Não tem jeito”, completa.

Jornada de trabalho

Ainda no vídeo, o novo ministro sugere a quem está assistindo à gravação propor aos amigos: “Quem entre vocês topa passar 15 anos trabalhando 12 horas por dia para daqui a 15 anos ser o chefão da empresa?”.

O próprio Sachsida, então, responde à própria pergunta: “Você vai ver que uma magnitude expressiva de mulheres prefere uma jornada de trabalho menor porque precisa ficar com os filhos, porque pretende cuidar mais da família ou porque ela acha que a regra de sustentação é do homem. […] Eu não sei a explicação, sei o resultado. É que parte expressiva das mulheres prefere jornadas de trabalho mais curtas”.

Para o novo ministro, “se por dez anos você tem um homem que está topando jornada de trabalho longa e uma mulher querendo jornada de trabalho menor, é evidente que daqui a dez anos você vai promover o cara que se sacrificou mais pela empresa”.

“Isso é discriminação?”, indaga Sachida. “Não. Isso não discriminação. São questões de escolha de carreira. ‘Ah, Adolfo, eu não concordo com você’. Paciência. Isso não é opinião minha, são dados. Se você não acredita em mim, faça esse teste amanhã”, responde o próprio Sachsida.

Ministro se diz contra leis que combatem discriminação salarial

Em outro trecho do vídeo, Sachsida se diz contrário a leis que proíbam a discriminação no pagamento de salários.

“Quando você tem economias competitivas, eu acho que leis obrigando o empresário a pagar igual para homem e mulher, para branco e para negro, ou mesmo obrigando empresários a contratar alguma minoria, eu acho que são leis ineficientes. O próprio mercado resolve esse problema”, diz Sachida no vídeo.

“O que acontece é que nós costumamos achar que as pessoas são igualmente eficientes. E muitas vezes não são. Então, aqui é importante entender o que é discriminação: é quando você tem duas pessoas com atributos iguaizinhos, mesma educação, mesma cultura, mesma vontade de trabalhar. Tudo o que interessa para a produtividade é igual. Contudo, existe um atributo que as diferencia, mas não altera a produtividade”, completa.

Em outro trecho, o novo ministro diz que “todos nós discriminamos”.

“Todos nós discriminamos. Discriminar é inerente ao ser humano. Discriminação é natural ao ser humano. Em vários atos, durante o dia, nós discriminamos”, diz Sachsida em um trecho do vídeo.

Segundo ele, a “pergunta relevante” a ser feita pela sociedade “não é se nós podemos ou não discriminar, a pergunta relevante é ‘quando o Estado deve intervir na discriminação?'”.

“Não se iludam: é errado proibir a discriminação”, completa.

Mercado acaba com a discriminação

Em um trecho do vídeo, Sachsida diz que “o próprio mercado se encarrega de acabar com a discriminação”.

Na opinião dele, a empresa que paga mais a um homem do que a uma mulher “igualmente produtiva” perde dinheiro porque a mulher vai ser contratada por uma outra empresa.

“Por exemplo, tem lá um homem e uma mulher. Os dois são igualmente produtivos, iguaizinhos, só que um é homem e o outro é mulher. Você realmente acha que o empresário vai falar assim: ‘Vou pagar mais para o homem’?. Se ele fizer isso, a mulher que é igualmente produtiva vai encontrar emprego em outra empresa com salário mais baixo, e o que vai acontecer? O lucro da outra empresa vai ser maior”, diz Sachsida em um trecho.

Para ele, o “mecanismo” para combater a discriminação no setor privado é a competição entre as empresas, o que, para ele, é “ineficiente” ter regras do poder público sobre o tema.

Fonte G1 Brasília

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