A Polícia Federal vai convocar para depor nos próximos dias Márcio Nunes de Oliveira, ex-diretor-geral da PF no governo Bolsonaro. A avaliação dos investigadores para chamar o ex-diretor é que o ex-ministro da Justiça Anderson Torres deu um depoimento na segunda-feira (8) com muitas contradições no inquérito em que é investigado por interferência da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no segundo turno das eleições de 2022. Na época, a PRF era subordinada a Torres.
Fontes relataram que Torres levou o então diretor-geral contra a sua vontade para uma visita surpresa na Superintendência da PF baiana às vésperas da eleição. O ex-ministro fez a viagem sob pretexto de reforçar o contingente da Polícia Federal (PF) no estado contra supostos crimes eleitorais, como compra de votos, por exemplo.
Nesta viagem, Torres pediu pessoalmente à superintendência da PF da Bahia que atuasse em conjunto com a PRF, para fazer a fiscalização comum de rodovias. Um relatório do Ministério da Justiça mostrou que a PRF fiscalizou mais de 2 mil ônibus na região, onde Lula venceu no primeiro turno e era favorito para vencer no segundo. Nas outras regiões, o número de fiscalizações foi muito menor.
Pessoas próximas a Márcio disseram que ele estava desconfortável e contrariado com a viagem. Delegados federais que testemunharam a reunião em Salvador também serão convocados para depor.
O discurso de Anderson Torres na ocasião, segundo a cúpula da PF baiana, era o mesmo tempo todo: temos que reforçar a presença das equipes nas ruas para coibir crimes eleitorais, como compra de votos.
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Delegados ouviram de Torres o argumento de que teria havido fraudes no primeiro turno e a compra de votos estaria desequilibrando as eleições. Ele também propôs ação conjunta com a PRF, segundo as fontes. E Torres recebeu como resposta dos delegados que a PF não faria operações com a PRF.
Os depoimentos vão buscar esclarecer as contradições de Anderson Torres que, na visão dos investigadores, não convenceu ninguém e só o deixou mais complicado.
Torres está preso desde janeiro por suspeita de omissão nos atos golpistas de 8 de janeiro, quando as sedes dos três poderes foram depredadas. Torres era secretário de Segurança Pública do Distrito Federal quando ocorreu a invasão.
Fonte G1 Brasília