O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (13) que ordenou um bombardeio contra a ilha Kharg, no Irã. O território é considerado estratégico e responde por cerca de 90% das exportações de petróleo iranianas.
Analistas temiam uma operação na região, já que uma interrupção nas atividades da ilha poderia causar impacto no mercado global de petróleo. Trump, porém, afirmou que decidiu poupar a infraestrutura petrolífera e disse que os bombardeios atingiram apenas alvos militares.
Localizada a menos de 25 km da costa do Irã, no Golfo Pérsico, a ilha de Kharg abriga o principal terminal petrolífero do país.
- A pequena faixa de terra, com cerca de 8 km de extensão, recebe petróleo transportado por oleodutos a partir de grandes campos produtores no sudoeste do país.
- No local, o petróleo é armazenado e carregado em navios petroleiros para exportação.
- Atualmente, a China é o principal destino desse petróleo.
- A importância da ilha para a economia iraniana é enorme, e a interrupção da produção na região poderia colapsar a economia do país por décadas.
?Entre 90% e 95% das exportações de petróleo iranianas passam pela ilha de Kharg?, explica Emmanuel Hache, diretor de pesquisa do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS), em entrevista à RFI.
?Bombardeá-la ou tomar seu controle simplesmente impediria o Irã de exportar seu petróleo.?
Importância histórica
A relevância estratégica de Kharg não é recente. A ilha já tinha papel importante no Golfo Pérsico desde os tempos do Império Persa, há mais de dois mil anos.
Por possuir fontes de água doce ? o que é raro na região ?, o território se transformou em um ponto de parada para embarcações que faziam comércio no Golfo.
- Nos séculos 16 e 17, a ilha chegou a ficar sob domínio de potências europeias, como Portugal e Holanda, tornando-se uma importante área para o comércio no Oriente Médio.
- Mais recentemente, Kharg passou a ter uso militar e chegou a abrigar uma prisão de segurança máxima no século 20.
Uma característica geográfica ajudou a transformar a ilha na ?joia da coroa? do Irã: as águas profundas ao redor do território permitem a atracação de grandes petroleiros, algo difícil na costa iraniana, que tem águas rasas.
A transformação de Kharg em um grande centro petrolífero começou na década de 1950, durante o reinado do xá Mohammad Reza Pahlavi.
Na época, o governo iniciou a construção de instalações para armazenamento e distribuição de petróleo, fazendo o local se tornar o principal ponto de exportação do país. Parte dessa infraestrutura chegou a ser operada por empresas americanas até a Revolução Islâmica de 1979.
Atualmente, as instalações da ilha são consideradas parte essencial da indústria petrolífera iraniana. Estimativas indicam que cerca de 1,3 milhão de barris de petróleo passam diariamente pelo terminal, que também tem capacidade para armazenar até 18 milhões de barris.,
O ataque
Em publicação na Truth Social, Trump disse que o ataque ?obliterou completamente? todos os alvos militares na ilha, descrita por ele como a ?joia da coroa? do Irã.
Segundo o presidente, os Estados Unidos decidiram não atingir a infraestrutura de petróleo do local. Por outro lado, Trump afirmou que pode reconsiderar essa decisão caso o Irã tente interferir na passagem de navios pelo Estreito de Ormuz.
Na mensagem, Trump também declarou que o Irã ?não tem capacidade de defender nada que os Estados Unidos queiram atacar? e reiterou que o país ?nunca terá uma arma nuclear?.
?As Forças Armadas do Irã, e todos os demais envolvidos com esse regime terrorista, fariam bem em depor as armas e salvar o que resta do país, que já não é muito?, escreveu.
?O Irã tinha planos de tomar todo o Oriente Médio e obliterar completamente Israel. Assim como o próprio Irã, esses planos agora estão mortos!?
O regime iraniano trata Kharg como um dos pontos mais sensíveis da guerra. O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou na quinta-feira (12) que ?qualquer agressão dos EUA contra o solo de ilhas iranianas levará ao ?abandono de toda a contenção?? do Irã no conflito.
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Fonte G1 Brasília