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Janones afirma que cogitou desistir e conversou com Lula, mas agora quer levar candidatura até o fim

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O candidato do Avante à Presidência da República, deputado André Janones (MG), afirmou nesta terça-feira (26) que chegou a ponderar a retirada da pré-candidatura ao Palácio do Planalto ? mas, atualmente, pretende levar a chapa até o fim.

Janones afirmou que poderia abandonar a candidatura se entendesse o gesto como necessário para uma “luta em favor da democracia” ? e se algum dos outros pré-candidatos se oferecesse para incorporar suas propostas a um eventual mandato.

“Eu sou um idealista, não estou na política em troca de cargos, buscando ministérios, para fazer dela um balcão de negócios. Para mim, não tem nenhum problema eu ficar quatro anos sem mandato, estou totalmente ciente do risco que isso implica”, declarou.

“Eu poderia ter retirado a minha pré-candidatura se algum dos candidatos tivesse me procurado para a gente conversar sobre as minhas propostas”, disse.

Janones diz que chegou a se reunir com o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, há cerca de 15 dias. Na reunião, Lula teria elogiado a trajetória e a “teimosia” do candidato do Avante ? mas, segundo o deputado, o ex-presidente não se ofereceu para incorporar suas ideias ao plano de governo do PT.

A declaração foi dada na sabatina da “Central das Eleições”, da GloboNews. O programa entrevistou a pré-candidata Simone Tebet (MDB) nesta segunda (25). O candidato Ciro Gomes (PDT) participa nesta quarta (27).

Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) também foram convidados, mas não confirmaram presença no prazo estipulado em reunião.

Propostas

Ao longo da sabatina, Janones também descreveu, em linhas gerais, propostas para enfrentar a crise econômica e a escalada da fome no Brasil. O candidato do Avante afirma que pretende fazer uma reforma tributária, incluindo taxação de grandes fortunas e cortes de subsídios, para bancar uma versão permanente do Auxílio Brasil de R$ 600.

“Num primeiro momento, de forma objetiva, rápida e direta, para essas pessoas que estão passando fome, a criação de um programa de transferência. Acredito na aprovação, nos seis primeiros meses de governo, de uma reforma tributária que busque viabilizar o pagamento imediato desse auxílio”, declarou.

André Janones também citou, como medidas econômicas, a realização de uma auditoria na dívida pública e o estabelecimento de limites para as taxas de juros cobradas pelos bancos ? que, segundo ele, são a principal causa do “sacrifício da classe média”.

Mais temas

Veja, abaixo, o que André Janones disse sobre outros temas durante a sabatina:

Pilares da campanha

“Busquei primeiro uma mensagem para nossa pré-candidatura ? agora candidatura ? transmitir. Essa mensagem clara tem dois pilares: a fuga, entre aspas, do debate ideológico, não transformar o debate ideológico em debate prioritário na nossa candidatura. E o principal pilar, aí sim, objetivo a ser alcançado a [redução da] desigualdade social do nosso país. Essa mensagem de diminuição da desigualdade social permeia as nossas propostas para educação, para o social, para a saúde pública, enfim, para todas elas.”

Educação pública

“A principal lógica nossa é um maior investimento na educação infantil e na educação básica. O que aconteceu no nosso país nos últimos anos? Houve um maciço investimento na educação superior, no oferecimento de vagas, mas na prática o que a gente está fazendo é entregando diplomas para pessoas sem a capacitação necessária. Então, a gente está investindo muito na ponta, e deixando de investir na base. Eu estou dizendo que não devemos investir em educação superior? Vamos deixar de ser utópicos e trazer para a realidade. Política para mim, a definição é eleger prioridades.”

Mensalidade nas universidades públicas

“Sou contra a PEC [que prevê a cobrança], já me posicionei n vezes contrário. Acho um retrocesso. A gente precisa universalizar mais o acesso ao ensino público de qualidade. E não restringir. Então, me posiciono contrário.”

Saúde

“A principal medida que a gente propõe para que esses recursos sejam melhor aplicados é a gente investir mais em atenção primária. De novo, inverter a lógica de investimento. Investir mais na atenção primária […]. Buscar aplicar a maior parte dos recursos na atenção primária. Cerca de 80% dos atendimentos de saúde deveriam, teoricamente, ser resolvidos na atenção primária. Hoje você passa a maioria para atenção secundária e para a atenção terciária.”

Renda mínima e combate à fome

“Nossa principal bandeira de campanha, programa de imediato, para o primeiro dia, é começar a desenvolver uma reforma tributária, uma ampla reforma tributária, que vise diminuir a desigualdade social e o principal pilar dessa diminuição da desigualdade social é a criação de um programa de renda mínima, em moldes muito parecidos com o Auxílio Emergencial e não com o [Auxílio Brasil]. A gente busca viabilizar isso, do ponto de vista financeiro, através de algumas medidas como o imposto sobre grandes fortunas.”

Política e religião

“Eu acho extremamente preocupante a mistura de questões religiosas com questões políticas. Eu concebo a fé como algo absolutamente nete íntimo e pessoal. Então, quero traçar esse paralelo e dizer que o estadista, o homem público ele deve saber separar a pessoa física, vamos dizer assim, do cargo que ele representa. Eu defendo o estado laico. E trabalho igualmente para o evangélico, para o espírita, para o católico, para o ateu etc.”

Presença nas redes sociais

“Aqui está o principal diferencial meu para aqueles se elegeram nessa onda da nova política, eu, ao contrário da maioria deles, me assumo como político. Eu sou político, gosto de fazer política, sou um político nato, que só utilizo as redes sociais para me comunicar. Eu faço política, não sou youtuber, digital influencer, não faço dancinha. Eu comunico meu trabalho nas redes sociais. Então, eu tenho uma capacidade de articulação.”

Relação com o Congresso

“Fica estranho colocar a palavra acerto e Bolsonaro na mesma forma. Mas eu vou citar aqui uma exceção, para dizer que uma das pouquíssimas vezes que eu entendo que ele acertou em alguma declaração foi quando ele disse: olha, os deputados e senadores que estão aí, foi a população que elegeu e eu preciso fazer política com eles. Não da maneira que ele faz. Eu faria de uma maneira independente, transparente, clara, sem abrir mão dos meus princípios. Eu preferia ser cassado, como, por exemplo foi a ex-presidente Dilma, preferia ser ‘impeachmado’ do que abrir mão dos meus princípios, do que é caro para mim. Bolsonaro faz o contrário. Ele vendeu a alma para o Centrão.”

Revisão da Lei de Cotas

“Acho um absurdo que se discuta, que se pondere qualquer possibilidade de a gente retroceder no avanço gigante. Talvez lei, a Lei de Cotas tenha sido, na minha opinião, um dos marcos do Congresso na aprovação de leis, uma das leis que geraram resultado mais positivo nos últimos anos. […] Dois pontos para mim são principais: primeiro, que a gente possa aumentar a fiscalização, para que de fato a gente contemple alunos negros, indígenas, carentes, que fizeram o ensino médio integral em escolas públicas. E o principal […] que a gente possa estender a lei também para os cursos de pós-graduação, mestrado, doutorado. […] Defendo a implementação por mais dez anos e aí que a gente, novamente, daqui dez anos, faça uma avaliação com números oficiais para saber da necessidade ou não de uma nova renovação.”

Taxas de juros

“A gente precisa regularizar, limitando a cobrança de juros no nosso país. […] O que mais está sacrificando a classe média hoje? O pagamento de juros. Os juros do cartão de crédito. Então, a gente limitar os juros. E uma outra medida direta: colocar a Caixa e o Banco do Brasil para disputar espaço no mercado, cobrando taxas mais acessíveis, e assim forçando os bancos também a diminuírem suas taxas.”

Apoio à PEC Kamikaze

“O meu voto não foi um voto eleitoreiro, foi um voto humanitário. O meu questionamento não é por que pagar R$ 600 em auxílio em agosto, setembro, outubro e dezembro. O meu questionamento é por que não se pagou antes, e por que não vai se pagar depois do mês de dezembro. Eu defendo a implementação de um auxílio nesse valor há dois anos. Fui chamado n vezes de idiota, de populista e de demagogo pelo presidente. Estranhamente, agora, à véspera das eleições, ele concorda comigo e adota o mesmo discurso que eu.”

Uso do orçamento secreto

“Usei emendas do orçamento secreto de forma não secreta. De forma pública. Recebi um prefeito em meu gabinete. Ele fez um pedido de emenda para uma obra relacionada à moradia […] Eu levei ele até o Senado, fui recebido pelo presidente do Senado, esse prefeito expôs as necessidades, o presidente do Senado concedeu aquele recurso de forma clara. Estou dizendo da minha experiência. E não estou dizendo que isso deveria ser praxe, até porque a gente precisa ter mecanismos de transparência, que a população possa ter acesso mais direto, porque nem todos vão ter essa postura que eu tive. Mas, no meu caso, não se trata de emenda feita de forma secreta.”

“O presidente do Senado disse que destinaria a emenda, sem especificar de onde viria, ele tem as emendas dele para destinar anualmente. Ele deu a resposta positiva, disse que ia conceder o crédito, e esse crédito de R$ 1,5 milhão eu noticiei através das minhas redes sociais, dos meios de comunicação, o prefeito também noticiou e esse recurso foi enviado. […]. Agora isso não justifica a manutenção do orçamento secreto, porque esse meu caso é exceção, a gente sabe que a praxe não é essa na destinação das emendas do orçamento secreto.”

Preço dos combustíveis

“[Proponho] a mudança na política de preços da Petrobras de modo que a gente possa, não seguindo mais a paridade internacional, a médio longo prazo, o investimento nas refinarias. A gente sabe que a gente é autossuficiente em petróleo, mas a gente não tem capacidade para refinar o suficiente para atender 100% do mercado. A gente mudar essa política de preços, com vistas a não se implementar o valor puro do que é produzido, mas também não seguir mais o valor, a taxa daquilo que a gente importa. Fazer uma média dessa despesa e atribuir o valor final com base nessa média.”

Enfrentamento às milícias

?Você disse que a violência é um instrumento da política nos dias de hoje, eu diria que a política é um instrumento do crime no nosso país. É até mais grave, é até mais profundo. Por exemplo, as milícias já estão chegando na Amazônia, as milícias já estão presentes nos acampamentos indígenas. Em linhas gerais, eu defendo o maior investimento em segurança pública, priorizar o investimento em inteligência e não só na polícia ostensiva, mas o investimento em inteligência.”

Confiança nas urnas eletrônicas

?O presidente da República é um homem covarde que não consegue lidar com a possibilidade de perder as eleições. Eu, por exemplo, em relação a minha candidatura, eu sempre digo isso, eu não sou nenhum lunático, eu tenho total consciência da improbabilidade, não da impossibilidade de que eu vença as eleições e eu trabalho com todos os cenários?.

Aumentar número de ministérios

“Como eu disse, o principal é o enfrentamento ao sistema financeiro brasileiro e entender que o problema não é o gasto com os ministérios, o gasto com os impostos. O problema é o que você devolve para a sociedade. O problema não é quantidade de ministérios. O importante é que você utilize esse ministério para o desenvolvimento de políticas que realmente promovam uma revolução, que é o que a gente precisa, em algumas áreas.”

“Não vou cravar aqui um número exato porque entendo que essa discussão tem que ser democratizada. Mas eu defendo um aumento no número de ministérios e que esses ministérios atuem de forma efetiva a desenvolver políticas públicas que beneficiem a população brasileira.”

Ministério da mulher

“Defendo a criação do Ministério das Mulheres para que a gente possa desenvolver políticas públicas que busquem a igualdade, de fato, de gênero, medidas que visem a diminuição da violência doméstica, a gente buscar políticas públicas que visem a conscientização exata dos problemas que acarretam o machismo estrutural, que existe no nosso país, o assédio sexual e moral”.

Segundo turno

“Não vou para Paris, não vou me acovardar, fico ao lado da democracia, fico ao lado da defesa das nossas instituições, ao lado da liberdade de imprensa, eu fico ao lado do meu direito, do seu direito, do direito de todos nós podermos discordarmos e debatermos, sem que isso implique risco direito à nossa vida. Não vou ter aquela postura arrogante e prepotente de alguns, que sempre respondem a essa pergunta dizendo ?eu tenho absoluta convicção de que vou estar no segundo turno?. Eu não tenho essa convicção. Mas tenho a convicção de que o lado certo da história, e o lado certo da história é a defesa da democracia. Seria quem estiver contra a escalada autoritária do governo Jair Bolsonaro.”

Cargo em outro governo

“Não tenho nenhuma pretensão da obtenção de cargos políticos, de ministérios. Dificilmente eu iria. Não entendo que esse convite viria atrelado à atitude de assumir as pautas que a mim são caras. Se vier sob essas condições, O.K., eu aceitaria, mas duvido muito que um convite para qualquer ministério venha atrelado a isso.”

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Fonte G1 Brasília

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