O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF-RJ) pediu para citar o youtuber Glauber Mendonça pelas redes sociais, após mais de um ano de tentativas frustradas.
Como o blog revelou, o responsável pelo canal “Fala, Glauber”, que tem mais de três milhões de inscritos, se apresenta como policial penal, mas é, na verdade, oficial da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência). Ele se encontra em licença médica, mas diz na plataforma que se dedica até 16h por dia à gravação de vídeos.
Nessa ação movida pelo MPF-RJ com a Defensoria Pública da União (DPU), Glauber responde por discurso de ódio e por incitação à violência policial. Na época, o Google suspendeu parte do conteúdo. Mas Glauber, desde abril de 2024, não foi encontrado para ser notificado.
Oficiais de Justiça tentaram contato inicialmente em Brasília, onde seu pai informou um novo endereço, também na capital federal. Esse constava como sede da empresa responsável pelo canal no YouTube, mas Glauber também não foi encontrado.
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SAIBA MAIS
O MPF fez buscas em seus sistemas e localizou um número de telefone e, posteriormente, outro endereço ligado à empresa de Glauber, mas também não teve sucesso.
“Não é concebível que alguém que já tenha conhecimento da ação e que realize cotidianamente transmissões ao vivo para milhões de pessoas por meio de pessoa jurídica regularmente constituída não possa ser encontrado para ser citado”, afirma o procurador Júlio José Araújo Junior, que assina a representação.
Por isso, o procurador solicita à Justiça nova tentativa nos endereços identificados, mas, caso seja frustrada novamente, pede a notificação por meio das redes sociais.
“O réu Glauber Cortes Mendonça é apresentador e responsável pelos programas que veicula em seu canal de YouTube, de modo que recebe efetivamente as comunicações por lá enviadas. Nesse contexto, a citação por meio da própria rede social no seu respectivo canal é medida que cumpre o objetivo final de dar ciência ao demandado dos atos processuais”.
Ação disciplinar
Como o blog revelou, embora se apresente como policial penal, Glauber é oficial técnico de inteligência da ABIN.
De acordo com relatos de colegas, Glauber Mendonça se encontra afastado desde o início de 2025 por questões de saúde, mas segue tocando o canal como atividade profissional.
A agência abriu um processo administrativo disciplinar. Ele deve responder por não exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo e por exercer atividades incompatíveis com o exercício do cargo e com o horário de trabalho.
Fonte G1 Brasília