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Participação feminina bate recorde, com 52,7% do eleitorado; DF e RJ têm o maior percentual de mulheres aptas a votar

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O número de mulheres no eleitorado brasileiro atingiu mais um recorde na eleição deste ano, apontam dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados nesta segunda-feira (11). Segundo a Justiça Eleitoral, elas são 52,7% do total, enquanto homens são 47,5%.

A proporção do eleitorado feminino vem crescendo ao longo dos anos. Em 1989, eram 49%, depois passaram a 49,5%, em 1994, e 49,9% em 1998. Elas se tornaram maioria em 2002, com 50,9%. Confira no gráfico abaixo a evolução.

Gerente de Estimativas e Projeções de População do IBGE, Márcio Minamiguchi afirma que, à medida que a população brasileira envelhece, é normal que haja mais mulheres que homens, uma vez que a expectativa de vida das mulheres é maior que a dos homens.

Ele explica que nascem 105 meninos para cada 100 meninas e que isso dá uma vantagem no número de homens nas faixas etárias mais jovens, mas esse cenário se inverte com o passar dos anos, devido à expectativa de vida.

“Essa diferença na infância é a favor dos meninos e depois vai se estreitando e acaba pendendo para o lado das mulheres a partir de certa idade. Normalmente perto dos 30 anos que a coisa se iguala”, comenta, acrescentando:

“A gente vê até entre os idosos, que geralmente você tem mais avós que avôs. Você vê mais mulheres idosas que homens idosos. É por aí.”

Em números absolutos, a diferença entre mulheres e homens é de 8,33 milhões de eleitores, número maior que a população do Maranhão ou de Santa Catarina, segundo dados estimados pelo IBGE para este ano.

Professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), Helcimara Telles afirma que o crescimento do eleitorado feminino faz com que a pauta de políticas sociais seja mais importantes em uma eleição. Por isso, cita ela, o governo correu com a PEC Kamikaze, aprovada na quarta-feira (13).

Telles explica que muitas mulheres, principalmente as mais pobres, são chefes de família e, por isso, são mais afetadas por benefícios sociais. Nesse contexto, buscam políticas que deem “uma segurança mínima em tempos de insegurança” como os vividos atualmente.

Na mesma linha, a historiadora e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) Denise de Sordi afirma que a questão de gênero tem “uma grande influência no desenho de políticas públicas”. Ela cita como exemplo o Bolsa Família e o Auxílio Brasil, que dão preferência às mulheres para receberem o benefício como chefe de família.

Ela acrescenta que as mulheres, assim como a população idosa, são uma das categorias mais afetadas pelo empobrecimento da população. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que pela primeira vez desde 2009 caiu a participação das mulheres entre os assalariados das empresas formais no país. A parcela feminina saiu de 44,8% em 2019 para 44,3% em 2020. Os dados foram divulgados em junho de 2022.

Sordi acredita que esses temas serão tratados na eleição no que ela chamou de “guarda-chuva da fome”. “A partir dos dados que estão sendo divulgados, a fome é uma pauta que vai ter centralidade sem dúvida nesta eleição. E este é um tema que vai puxar a discussão das políticas sociais”, explica.

A professora da UFMG acrescenta que, além dos benefícios sociais, a mulher chefe de família de baixa renda também tem mais contato com o aparelho estatal, o que a torna mais sensível à qualidade do serviço público.

“É a mulher, sobretudo a mais pobre, que leva o filho à escola, que leva o filho ao posto de saúde. Esse modelo que a mulher se responsabiliza mais pelo filho dá a ela mais contato com os aparelhos de saúde. Isso dá a ela mais perspectiva sobre duas questões: economia e serviços públicos”, comenta.

DF e RJ têm o maior percentual

Em todo os estados do país, as eleitoras já são maioria da população apta a votar. Mas o percentual muda bastante de acordo com a unidade da federação. No Pará, por exemplo, a diferença entre mulheres e homens é de 0,8 pontos percentuais, enquanto no DF é de 8,1 pontos.

Os estados do Norte têm maior percentual de homens aptos a votar quando comparados com os de outras regiões. Já no Sudeste e em parte do Nordeste, as mulheres aparecem em parcela ainda maior.

Fonte G1 Brasília

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