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PF só achou cinco dias de mensagens no celular de Domingos Brazão

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A Polícia Federal (PF) só conseguiu encontrar diálogos de um período de cinco dias no celular apreendido com Domingos Brazão, apontado como mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) foi alvo da operação Murder Inc em 24 de março, após a PF assumir as investigações.

De acordo com o relatado pelos policiais, só foram encontradas no aparelho apreendido com o denunciado mensagens entre os dias 19 e 24 de março, quando a ação foi deflagrada.

O episódio é um exemplo da dificuldade que a corporação tem relatado devido ao fato de só ter assumido as investigações cinco anos após o assassinato. Com o tempo transcorrido e com a participação de policiais no crime, provas que poderiam elucidá-lo de forma mais objetiva se perderam ou foram intencionalmente apagadas.

“A análise de tal aparelho é o exemplo da enorme dificuldade que esta equipe encontrou para o resgate de elementos de convicção que possam auxiliar na presente investigação, uma vez que somente constam diálogos entre a noite de 19/03/2024 até a manhã de 24/03/2024, data do cumprimento do mandado de busca e apreensão em desfavor do ora denunciado”, relata a PF.

Ainda assim, o material extraído permitiu constatar a “cumplicidade” entre Domingos Brazão e Robson Calixto Fonseca, o Peixe, “tendo em vista a quantidade de interações entre ambos em curto período de tempo”, diz o relatório. Peixe era assessor de Domingos Brazão no TCE-RJ e foi apontado na delação de Ronnie Lessa como o responsável por intermediar o contato entre os mandantes e os executores do assassinato e por fornecer a arma do crime.

Também foram encontradas diversas mensagens com matérias jornalísticas sobre o caso Marielle disparadas pelo número de Brazão na véspera da sua prisão. Na ocasião, ele almoçava em um restaurante português em Niterói com Peixe e Rodrigo Lopes Lourenço, procurador da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que o representou na ação que os irmãos Brazão responderam no Superior Tribunal de Justiça ( STJ ).

As mensagens foram enviadas para o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, para o ex-deputado Eduardo Cunha e, posteriormente, para o deputado federal Chiquinho Brazão, também alvo da operação. “Não é possível extrair de tais recortes eventual tentativa de embaraçar as investigações em andamento naquele momento”, pondera a PF.

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‘Cinco anos de destruição de provas’

As informações constam no relatório produzido a partir das buscas e apreensões realizadas em março. A operação Murder Inc apreendeu 51 itens entre celulares, computadores, pendrives e tablets. Na ocasião, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes deu um prazo de 60 dias para análise de todo o material.

Os investigadores relataram ter encontrado um iPad (tablet), um MacBook Pro (notebook) , um iPhone (telefone) preto e um de capa rosa bloqueados, além de um token vazio. De acordo com a PF, seguem bloqueados o MacBook Pro e o iPhone preto apreendidos com Peixe e com o delegado Giniton Lages. Os investigadores pediram autorização ao ministro Alexandre de Moraes para seguir analisando esse material.

O presidente da Embratur e ex-deputado Marcelo Freixo, que foi monitorado pelos criminosos na época, afirmou em entrevista ao Estúdio i na segunda-feira (27) não ter dúvidas da tentativa de obstrução de justiça.

“A PF começou a investigar depois de cinco anos de destruição de provas por quem sabe fazer isso. Por quem é profissional dessa área. Então, não vamos ter uma solução simples e fácil como se fosse um caso comum. Primeiro porque não é um caso comum. Segundo, porque é um caso que, durante cinco anos, se destruiu fatos para que não se chegasse ao autor”, declarou.

Para a PF, os elementos colhidos até o momento não deixam dúvidas a respeito dos mandates do crime. A corporação relata ter conseguido corroborar a narrativa apresentada por Ronnie Lessa, delator e executor do assassinato de Marielle. Segundo ele, a vereadora foi morta porque atrapalhava os negócios imobiliários dos irmãos Brazão.

Fonte G1 Brasília

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