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Relatório enviado ao Supremo revela apuração da PF sobre desaparecidos na Amazônia

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O Jornal Nacional teve acesso ao relatório que a Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal sobre as investigações do desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips.

A pedido do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, a PF fez um relatório sobre o andamento das investigações.

No documento, a Polícia Federal informa que passou dias navegando no trecho que deveria ter sido percorrido Pereira e Phillips podem ter desaparecido.

“Por dois dias seguidos, navegando pelos principais pontos indicados, a equipe identificou pessoas, mapeou a região e fez levantamentos sobre investigação iniciada pela Polícia Civil local, que já havia colhido depoimentos e prendido Amarildo da Costa Oliveira, vulgo ?Pelado?, por porte de drogas e munição. Ressalta-se que ?Pelado? foi indicado por populares como possível responsável pelo desaparecimento de Bruno e Dominic, tendo em vista que, recentemente, teria ameaçado a ambos”, diz o texto.

Os investigadores ouviram Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como “Pelado”, que está preso, mas nega participação.

A fim de aprofundar as investigações, a PF colheu as declarações de ?Pelado?, que declarou ser pescador há mais de 30 anos na área do rio Itaquaí, do ponto da base da Fundação Nacional do Índio (Funai) até o trecho do rio da comunidade São Gabriel, onde mora há dez anos.

Ele disse que conhece Bruno Pereira, servidor licenciado da Funai, somente de vista e que nunca conversou com ele.

“Pelado” reconheceu ter visto Bruno Pereira no dia 5, domingo, enquanto ele passava de barco em frente à comunidade São Gabriel, onde mora. Mas negou ter saído de casa durante todo o dia. Segundo ele, o barco permaneceu parado até segunda-feira, quando saiu para caçar porcos.

A Polícia Federal também ouviu Eliésio da Silva Vargas, o Eliésio Marubo, líderança indígena.

Vargas afirmou que Bruno Pereira enviou a ele uma mensagem de texto em 31 de maio, alertando que corria risco de vida porque uma reunião marcada para o último dia 5 poderia “dar algum problema”.

A Polícia Federal relatou ao Supremo que ouviu mais uma testemunha que estava na cena do desaparecimento, cuja identidade foi protegida. O depoimento é considerado importante para a investigação porque revela detalhes da eventual participação de Amarildo Costa Oliveira e de um segundo suspeito.

“A testemunha narrou à equipe da Polícia Federal que momentos depois de ter visto as embarcações de Bruno e ‘Pelado’, encontrou ‘Dos Santos’ remando uma pequena embarcação de madeira no meio do rio. ‘Dos Santos’ solicitou ajuda para ser rebocado até mais à frente e ele o ajudou a chegar ao barco de ‘Pelado’, que estava parado no meio do rio, com apenas um tripulante”, diz o relatório.

No depoimento, a testemunha disse ainda que a lancha de “Pelado” estava parada contra a correnteza do rio e de motor ligado, numa posição típica de quem espera outra embarcação chegar. De acordo com o documento da PF, quando “Dos Santos” foi em direção a “Pelado”, a testemunha percebeu que ele “portava uma espingarda calibre 16 e uma cartucheira na cintura” e que “a espingarda estava armazenada dentro da canoa de modo visível”.

A PF identificou “Dos Santos” como Oseney da Costa de Oliveira, preso temporariamente nesta terça-feira, e concluiu que “esse depoimento coloca ?Pelado? e ?Dos Santos? no lugar do suposto desaparecimento. Oseney Oliveira seria irmão de Amarildo.

A testemunha ? cuja identidade foi mantida sob sigilo ? também relatou à PF que ouviu Bruno Pereira dizer que estava sendo ameaçado por pessoas que não aceitavam as atividades de combate às ilegalidades recorrentes contra indígenas da região.

Ainda segundo essa testemunha, entre as ameaças recebidas por Pereira, algumas foram proferidas por ?Pelado?, que já “teria efetuado disparos de arma de fogo contra a base local da Funai e, recentemente, ameaçado os ‘vigilantes’ da região ostentando uma arma de fogo do tipo espingarda”.

De acordo com os investigadores, a testemunha reconheceu o barco de Amarildo Oliveira e descreveu as roupas que Bruno Pereira e Dom Phillips vestiam no dia do desaparecimento, o que, segundo a PF, demonstra que realmente encontrou com eles no rio.

No relatório encaminhado ao Supremo, a Polícia Federal afirma que os elementos colhidos até agora na investigação “permitem inferir a presença de fortes elementos indiciários” de que Oseney da Costa de Oliveira, o “Dos Santos”, e Amarildo da Costa de Oliveira, o ?Pelado?, “podem estar envolvidos” no desaparecimento do jornalista e do indigenista.

Imagens anexadas ao relatório mostram os locais de buscas da Polícia Federal pelos rios, trilhas e selva, detalhes dos barcos, o local onde foram encontrados objetos dos desaparecidos e o exato local na mata onde foi encontrado o cartão de saúde de Bruno Pereira.

Fonte G1 Brasília

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