REDES SOCIAIS

22°C

Saída de deputados estaduais do PSDB para o PSD aponta para fim do partido em SP

Share on facebook
Share on twitter
Share on telegram
Share on whatsapp
Share on email

Nesta quinta-feira (5), um café da manhã com Gilberto Kassab (PSD) e sete representantes da federação PSDB-Cidadania na Assembleia Legislativa de SP (Alesp) selou um cenário de êxodo que já se desenhava há cerca de um ano.

Seis deputados estaduais do PSDB e um do Cidadania vão, a partir de 4 de março, se filiar ao partido comandado por Kassab. Com isso, a federação deixa de ter a terceira maior bancada na Alesp, após décadas de predomínio tucano na política paulista.

Hegemonia e encolhimento

Surgido de uma dissidência progressista do MDB em 1988, no período da Assembleia Constituinte, o PSDB teve, desde a origem, forte ligação com o estado. Os próceres do partido em sua criação são em sua maioria políticos paulistas, dentre os quais Fernando Henrique Cardoso, Franco Montoro, Mário Covas e José Serra.

A partir de 1994, o PSDB elegeu o governador de São Paulo em sete eleições consecutivas. A hegemonia acabou em 2022, com a eleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos). A derrota de Rodrigo Garcia na ocasião foi o desfecho de uma crise que já vinha se desenhando, agravada por disputas internas entre João Doria e outras lideranças do partido.

@media (min-width: 768px) {
.cxm-block-video__container–vertical #wp3-player-f7ej1 .clappr-player .poster__play-wrapper > svg {
width: 50%;
height: 50%;
}
}

O racha levou o PSDB a abrir mão de uma candidatura própria à Presidência em 2022 ? fato inédito em sua trajetória. Dois anos depois, outro sintoma da erosão da legenda: na janela partidária de 2024, oito vereadores tucanos da capital paulista deixaram a sigla.

Na eleição municipal, mais golpes: o partido não conseguiu eleger prefeitos em nenhuma capital brasileira, nem obteve representação na Câmara Municipal de São Paulo. No estado, viu seu número de prefeituras encolher de 173 para 21.

No ano passado, a discussão sobre uma eventual fusão ou até mesmo capitulação ganhou corpo. A Assembleia Legislativa, no entanto, seguia como um baluarte. Com a terceira maior bancada graças à federação com o Cidadania, o PSDB garantiu um assento na Mesa Diretora, com a representação de Barros Munhoz.

Remanescentes

Agora, com a saída de 6 dos 8 tucanos e de mais um deputado do Cidadania ? 7 dos 11 da federação, portanto?, a bancada passa a ser de apenas 4 deputados na Casa. São 2 do PSDB e 2 do Cidadania. É o mesmo que MDB e PSB, hoje empatados como a oitava bancada na Alesp.

Uma das duas remanescentes do PSDB, a deputada Carla Morando afirmou que também vai deixar o partido, mas que ainda não definiu seu destino. “Não participei do café”, disse, sobre a reunião dos correligionários com Kassab.

Por parte do Cidadania, Ana Carolina Serra afirmou não pensar em mudança de legenda, por ora. “Mas desde o ano passado vejo as pessoas ansiosas. A janela partidária só começa em março e até lá temos trabalho pela frente.”

Bruna Furlan, do PSDB, e Ortiz Júnior, o outro parlamentar remanescente no Cidadania, não responderam aos questionamentos da equipe de reportagem.

Marido de Ana Carolina, o presidente estadual do PSDB, Paulo Serra ? ex-prefeito de Santo André ? afirmou que o partido lamenta “profundamente esta forma desrespeitosa de cooptação de quadros” e que o “canibalismo” na base de Tarcísio “em nada ajuda a construção de um projeto nacional de centro”.

“Da mesma forma que tem gente saindo, tem grandes quadros ingressando com sangue novo, representatividade e vontade de reconstruir um projeto de governo que já provou que dá certo”, destacou Paulo Serra.

Em 4 de outubro, as eleições vão mudar a composição da Casa para os próximos quatro anos.

O que diz o PSDB

Leia na íntegra a nota da executiva estadual do partido:

“Lamentamos profundamente esta forma desrespeitosa de cooptação de quadros.

Quero ressaltar que continuo respeitando muito o presidente do PSD e reconheço nele um grande dirigente partidário, no entanto, esse tipo de ‘canibalismo’ dentro da base do Governador Tarcísio em nada ajuda a construção de um projeto nacional de centro.

O PSDB está passando por um processo de transformação e isso exige mudança de atitude.

Da mesma forma que tem gente saindo, tem grandes quadros ingressando com sangue novo, representatividade e vontade de reconstruir um projeto de governo que já provou que dá certo!

O fato é que o PSD é da base do PT no Governo Federal e contribui com um modelo de gestão que não funciona mais. Isso certamente poderá ser explorado na eleição daqueles que escolhem o caminho temporariamente mais fácil.

Paulo Serra
Presidente estadual do PSDB SP”

Fonte G1 Brasília

VÍDEOS EM DESTAQUE

ÚLTIMAS NOTÍCIAS