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Trump disse a chefe de polícia que ‘todos sabiam’ sobre Epstein, mostra documento do FBI

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Uma entrevista recém-divulgada pelo FBI sugere que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tinha conhecimento sobre crimes cometidos pelo bilionário Jeffrey Epstein. O material foi revelado pelo jornal Miami Herald e pela agência Reuters nesta terça-feira (10). O g1 também localizou o documento.

O arquivo está entre mais de 3 milhões de páginas divulgadas pelo Departamento de Justiça no fim de janeiro sobre o caso. Epstein é acusado de comandar uma rede de abuso sexual que envolvia, inclusive, menores de idade. Ele tirou a própria vida na prisão em 2019.

O documento em questão traz o resumo de uma entrevista feita em 2019 com Michael Reiter, ex-chefe de polícia. Segundo ele, em junho de 2006, quando atuava em Palm Beach, na Flórida, recebeu uma ligação de Trump na qual o nome de Epstein foi citado.

?Ainda bem que você está impedindo isso, todos sabiam que ele tem feito isso?, disse Trump a Reiter, segundo o relato.

De acordo com a entrevista, Trump afirmou que já esteve perto do bilionário na presença de adolescentes, mas que deixou o local rapidamente. O atual presidente teria dito ainda que pessoas em Nova York sabiam que ele era ?repugnante?.

?Trump relatou que esteve com Epstein uma vez quando havia adolescentes presentes e que ?saiu correndo de lá?. Trump foi uma das primeiras pessoas a ligar quando as autoridades descobriram que estavam investigando Epstein?, diz o arquivo.

Ainda segundo o documento, Trump descreveu Ghislaine Maxwell, parceira de Epstein, como ?malvada? e disse que as autoridades deveriam focar nela. Maxwell cumpre atualmente pena de 20 anos de prisão por envolvimento no esquema de abuso.

Reiter, que se aposentou em 2009, confirmou os detalhes da entrevista ao FBI ao jornal Miami Herald.

Questionado sobre os relatos, o Departamento de Justiça afirmou não ter conhecimento de nenhuma evidência ?que corrobore que o presidente tenha entrado em contato com as autoridades há 20 anos?.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse nesta terça-feira que Trump foi ?honesto e transparente? sobre o fim da relação com Epstein.

?Foi uma ligação que pode ou não ter ocorrido em 2006?, afirmou. ?Não sei a resposta para essa pergunta.?

Trump foi amigo de Epstein por anos, mas os dois se afastaram antes da primeira prisão do bilionário, segundo o próprio presidente. Ele também afirmou várias vezes que não tinha conhecimento dos crimes.

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Secretário na mira

Também nesta terça-feira, o secretário do Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou que teve pouca relação com Jeffrey Epstein. A declaração foi dada durante depoimento em uma audiência no Senado.

Arquivos do Departamento de Justiça, porém, incluem e-mails que indicam que Lutnick visitou a ilha privada de Epstein no Caribe para um almoço em 2012, sete anos depois de dizer que havia rompido todos os laços com o financista.

As revelações levaram a pedidos de renúncia feitos por republicanos e democratas.

Lutnick disse aos senadores que os dois se encontraram apenas três vezes ao longo de 14 anos e que o almoço, que teria incluído familiares, ocorreu porque ele estava em um barco próximo à ilha.

?Eu sei, e minha esposa sabe, que não fiz absolutamente nada de errado em nenhuma circunstância possível?, afirmou.

Os e-mails, no entanto, contradizem declarações anteriores de Lutnick de que, em 2005, ele teria prometido nunca mais ver Epstein. Segundo o relato, a decisão foi tomada depois que o bilionário, então vizinho dele, mostrou uma mesa de massagem e fez um comentário de cunho sexual.

No domingo (8), o deputado republicano Tom Massie disse à CNN que Lutnick deveria ?facilitar a vida do presidente e, francamente, renunciar?.

Já a secretária de imprensa da Casa Branca afirmou que Trump ?apoia plenamente? Lutnick.

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Fonte G1 Brasília

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