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Em depoimento, diretor do BC diz que Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa antes de liquidação

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Em depoimento à Polícia Federal (PF), o diretor do Banco Central Ailton Aquino afirmou que o Banco Central (BC) tinha apenas R$ 4 milhões em caixa antes de o BC decretar a liquidação extrajudicial da instituição.

“Apesar de o Master ser um típico, nós chamamos S3, uma instituição de médio porte, dada a crise de liquidez do Master e com R$ 80 bilhões de ativos totais, o acompanhamento por parte da supervisão era fundamental para entender a liquidez”, introduziu o diretor.

“Para pontuar isso claramente: um banco de R$ 80 bi tem liquidez de R$ 3 bi, R$ 4 bi em títulos livres. O Master, antes da liquidação, só tinha R$ 4 milhões no caixa”, prosseguiu.

O Banco Master foi liquidado em novembro pelo Banco Central, após identificação de problemas de liquidez.

  • ? A liquidação extrajudicial ocorre quando o Banco Central encerra as atividades de um banco que não tem mais condições de operar. Um liquidante assume o controle, fecha as operações, vende os bens e paga os credores na ordem prevista em lei, até extinguir a instituição. Nessa fase, as operações são finalizadas e o banco deixa de integrar o sistema financeiro nacional.

Um especialista ouvido pelo g1 explicou que, como o Master não era uma instituição de maior tradição, deveria manter um volume de recursos em caixa maior do que uma empresa classificada dentro desse segmento, isto é, de maior tradição.

“[Deveria ter] um caixa maior que uma instituição financeira de maior tradição com a mesma estrutura de passivos”, esclareceu o economista Carlos Eduardo De Freitas, que foi diretor de Área Externa do Banco Central.

Problemas de pagamento

No depoimento, Ailton Aquino ainda mencionou as dificuldades de pagamentos pela Will Financeira, nome fantasia do Will Bank, que integra o conglomerado do Banco Master.

Na semana passada, após cerca de dois meses da decisão sobre Master, o BC também decretou a liquidação extrajudicial instituição ? que tinha foco em inclusão financeira de pessoas de renda média e baixa.

“Outro problema, as contas, as grades da Will, pagamento da Will estavam sendo, aí, muita dificuldade o pagamento. O acompanhamento era por causa de antes da crise de liquidez. Se fechava ou não fechava o caixa”, argumentou.

Antes da liquidação, a Will estava sob Regime de Administração Especial Temporária (Raet) do Banco Central.

O BC assumiu temporariamente o controle da instituição para evitar o agravamento da situação e prejuízos maiores aos clientes e ao sistema financeiro.

De acordo com apurações do blog do Valdo Cruz, o Will Bank ainda não havia sido liquidado para permitir a venda a um novo investidor de origem árabe, que demonstrava interesse na compra. O negócio, porém, não foi concluído.

Somado a isso, a instituição descumpriu a grade de pagamentos com a Mastercard, o que agravou a situação. No dia seguinte, a empresa anunciou a suspensão da aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank em razão das dívidas.

Em nota na ocasião da liquidação, o BC citou o impasse para justificar a decisão. No comunicado, o órgão afirmou que o cenário comprometeu a ?situação econômico-financeira? da instituição e caracterizou sua insolvência.

Fonte G1 Brasília

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