? Como é o vídeo?
- Compartilhado em posts no X e no Facebook desde domingo (15), o vídeo mostra dezenas de entregadores reunidos durante protesto em uma avenida. Entre buzinas e gritos, um deles diz em um megafone: “Nós paramos o Brasil e vamos parar a P. toda, se for preciso. Nós vamos puxar agora, bora!”.
- Veja três exemplos de legendas: “Os trabalhadores de aplicativos, revoltados com o PT querendo taxa mínima de R$ 10 para por entrega + acrescimento de R$ 2,50 por cada quilômetro rodado”; “Motoboys perderam a paciência com o Lula e seus impostos”; e “Motoboys iniciam paralisação contra o governo Lula que quer colocar mais imposto na categoria”.
Apesar de ser verdadeiro ? e não uma produção de inteligência artificial (IA), por exemplo ?, o registro está fora de contexto. As imagens são de 26 de janeiro, quando motoboys protestaram contra a falta de segurança no Rio, após dois entregadores terem sido mortos durante o trabalho em um intervalo de menos de uma semana (leia detalhes mais abaixo).
- Os posts viralizaram após uma reunião entre ministros do governo e deputados envolvidos na elaboração do PLP 152/2025, projeto de lei complementar sobre regulamentação do trabalho por aplicativos protocolado pelo deputado Luiz Gastão (PSD-CE). A última versão do texto, apresentada em dezembro pelo relator, previa estabelecer o valor mínimo de R$ 8,50 a ser pago aos entregadores por entregas e corridas, mas o governo quer chegar em R$ 10. Não se trata de uma cobrança adicional à categoria.
- Na sexta-feira (13), o Fato ou Fake publicou uma checagem sobre o mesmo tema: É #FAKE que o governo Lula propôs taxar entregadores de aplicativo em R$ 10 por corrida.
?? Por que o post é mentiroso?
O conteúdo original foi publicado em 26 de janeiro deste ano no Instagram de Thiago Santana, que se descreve como “liderança motoboy RJ”. Os posts falsos cortaram o final do registro, quando ele disse:”Nós vamos puxar agora pro palácio Guanabara [sede do governo do estado do Rio de Janeiro]”.
Na noite anterior, Paulo Vitor de Souza Lopes, de 22 anos, tinha sido morto a tiros enquanto fazia a entrega de uma pizza na Zoa Oeste da capital fluminense. Os suspeitos dispararam contra o jovem e fugiram levando a motocicleta da vítima. O caso ocorreu menos de uma semana após a morte de outro entregador, na Zona Norte.
- Em outro vídeo publicado na época, Thiago aparece convocando a categoria para o ato: “Mais um dos nossos que caiu trabalhando, mano. Está ficando impossível de trabalhar no Rio de Janeiro. […] Precisamos de melhoria na porra da segurança, para ontem. […] Estamos indo lá pra Campo Grande. Nós não vamos morrer calados. Vamos fazer nossa manifestação, eles vão ter que os ouvir”.
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VÍDEOS: Fato ou Fake explica
- VEJA outras checagens feitas pela equipe do FATO ou FAKE
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Fonte G1 Brasília