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Mauro Mendes, o “Dória Pantaneiro”, se coloca ao lado de Valdemar Costa Neto e Cláudio Castro em ato por anistia.

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Na manifestação deste domingo em Copacabana, em meio a bandeiras do Brasil, cartazes pedindo anistia e militantes fervorosos, um personagem destoava do cenário: Mauro Mendes, o “Dória Pantaneiro”, mais preocupado com o corte da camisa do que com o corte de gastos públicos. Com uma calça justa que parecia gritar por liberdade, uma camisa amarela colada e um boné verde do 22 estrategicamente posicionado, o governador de Mato Grosso se misturava à multidão como quem tenta combinar um terno de alfaiataria com um abadá de micareta.

Se havia dúvidas sobre a estética de Mendes, bastava olhar ao seu lado para entender que o figurino era, de fato, a prioridade. A primeira-dama ostentação, Virgínia Mendes, não economizou na produção. De óculos escuros importados, joias reluzentes e vestindo grifes que fariam inveja a qualquer influencer de luxo, ela parecia mais preocupada em garantir boas fotos para o Instagram do que em qualquer bandeira política. A imagem que estampa essa matéria diz tudo: enquanto os manifestantes estavam ali pela causa, Virgínia estava ali pela vitrine.

Mas o que realmente chamou atenção não foi apenas o figurino de Mendes, e sim sua posição estratégica no palco da manifestação. O “Dória Pantaneiro” não poderia ter escolhido melhor companhia: ficou bem ao lado de Valdemar Costa Neto, o chefão do PL e velho conhecido do escândalo do Mensalão, além do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, que divide com o próprio Mendes o ranking de estados mais violentos do Brasil. Uma tríade perfeita para um evento que pedia anistia: um ex-condenado do Mensalão, um governador carioca atolado em crises de segurança pública e um político que troca de ideologia como troca de camisa (apertada).

Mauro Mendes, aliás, é um mestre da metamorfose política. Já foi socialista, republicano, liberal, bolsonarista e pode ser qualquer coisa amanhã. Sua ficha de filiações inclui PPS (antigo PCB), PSB de Miguel Arraes, PR de Valdemar Costa Neto e, agora, União Brasil, o ex-PFL/DEM. Já gravou programa eleitoral com Marina Silva, foi cabo eleitoral de Dilma Rousseff, jurou fidelidade a Sérgio Moro e agora veste a camisa do bolsonarismo como se sempre tivesse sido um de seus soldados mais fiéis. Mas quem acompanha sua trajetória sabe que Mendes é um oportunista de carteirinha, sempre pronto para embarcar no barco que parece estar flutuando melhor no momento.

Ao lado de Bolsonaro, Mendes tentava roubar a cena e, mais do que isso, roubar as bandeiras do ex-presidente. Em seu discurso, culpou Congresso e STF pelos problemas do país, repetindo o mantra bolsonarista com a desenvoltura de quem acabou de decorar o texto. O problema é que a plateia sabe reconhecer quem está ali por convicção e quem está ali por conveniência.

E o Dória Pantaneiro? Esse segue desfilando na passarela da política, sempre atento às tendências e às câmeras, tentando convencer o público de que não é um modelo fora de moda.

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