O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, vereador Milton Leite (União Brasil-SP), disse não ver perseguição na proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar ONGs que fazem trabalho social na região da Cracolândia, especialmente o Padre Júlio Lancelotti.
Ao blog, Milton Leite afirmou que vai aguardar o retorno do recesso na Câmara em fevereiro para se reunir com o Colégio de Líderes, quando será debatido se haverá o prosseguimento da instalação da comissão. Segundo o presidente da Casa, do que tomou conhecimento até o momento, ?não há viés político? na proposta do vereador Rubinho Nunes (União Brasil-SP).
?Se há fatos, não importa quem seja investigado. A investigação é como outra qualquer?, diz Milton Leite.
À GloboNews, o vereador Rubinho Nunes classificou como ?máfia da miséria? o trabalho feito por instituições na região da Cracolândia e também negou viés político. Segundo ele, a CPI visa investigar todas as pessoas físicas ou jurídicas que atuem na região central de São Paulo e que, ?por mais que o [padre] Júlio não atue formalmente no quadro de ONGs, há indícios de sua ligação. Isso também pode e será averiguado?.
Vereadores de oposição ouvidos pelo g1 também negaram a existência de algum acordo para que o pedido do vereador avance na Casa.
?O Rubinho Nunes é um fanfarrão. Apesar de bom parlamentar, está jogando para a plateia dele e criando um factoide contra uma pessoa honrada e séria como o padre Júlio. Não existe acordo algum para que essa CPI seja criada. O PT é contra e vai obstruir e fazer o que for pra barrar essa ideia equivocada. É uma perseguição injustificada, com objetivo de ganhar votos extremistas na eleição de outubro em cima de uma pessoa que dedica a vida a ajudar os famintos?, disse o líder do PT na Câmara, vereador Senival Moura.
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O que diz o padre Júlio
Para Lancelotti, o ataque contra ele tira o foco da questão da Cracolândia.
?Tira o foco da questão que nós temos que enfrentar, que é como lidar com a dependência química, com as cenas de uso, com essa questão que é tão grave no Centro de São Paulo e de outras cidades então. Então, essa criminalização de algumas pessoas, movimentos ou de algumas entidades é uma forma de não enfrentar com clareza e com profundidade a questão que está em foco?, completou.
Em suas redes sociais, padre Júlio afirmou que não pertence a nenhuma ONG e que a “atividade da Pastoral de Rua é uma ação pastoral da Arquidiocese de São Paulo na Cracolândia”.
A Arquidiocese de São Paulo divulgou nesta quinta-feira (4) uma nota de repúdio contra a proposta, defendendo e reiterando a importância do trabalho desenvolvido há décadas pelo Padre Júlio.
“Na qualidade de Vigário Episcopal para a Pastoral do Povo da Rua, Padre Júlio exerce o importante trabalho de coordenação, articulação e animação dos vários serviços pastorais voltados ao atendimento, acolhida e cuidado das pessoas em situação de rua na cidade. Reiteramos a importância de que, em nome da Igreja, continuem a ser realizadas as obras de misericórdia junto aos mais pobres e sofredores da sociedade”.
O prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), não havia se pronunciado sobre o assunto até a publicação deste post.
Fonte G1 Brasília