A auditoria que embasou a abertura do inquérito que apura suspeita de gestão fraudulenta na gestão passada do BRB revelou o complexo caminho do dinheiro até a compra de ações.
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Segundo documentos a que o blog teve acesso, além de fundos, o dono do Master, Daniel Vorcaro, se valeu de seu próprio advogado na complexa rede para dificultar o rastreamento de que era ele, Vorcaro, o acionista do BRB.
Em uma das operações, um fundo chamado Delta ? administrado pelo Banco Master ? adquiriu ações do BRB e as revendeu a Daniel Monteiro, advogado de Vorcaro. Para realizar a operação, Monteiro fez um empréstimo com outra empresa, a Cartos, também investigada pela PF.
Já outro fundo, o Borneo, revendeu parte de suas ações do BRB a Monteiro ? que, novamente, fez empréstimos junto à Cartos para obter o dinheiro ? e outra parte a um fundo administrado pelo Banco Master, o Celeno. O Celeno, por sua vez, revendeu as ações para João Carlos Mansur, ex-executivo da gestora Reag.
Procurador
Em outra frente da compra pulverizada de ações do BRB, Vorcaro se valeu do advogado e procurador do município do Maranhão, Daniel de Faria Jeronimo Leite.
Neste caso, o fundo Asterope, administrado pelo Master, adquiriu ações do BRB e as revendeu ao procurador municipal. Para obter os recursos, Leite realizou operação de crédito junto à Qista, empresa de crédito vinculada à Reag.
Em paralelo, o Asterope também vendeu ações do BRB a outro fundo, o Albali ? este pertencente ao ex-sócio do Banco Master, Mauricio Quadrado.
O BRB identificou que Vorcaro também adquiriu ações da instituições por meio de outra empresa, a Titan, que comprou ações do banco brasiliense de outros fundos.
A Polícia Federal investiga se, de fato, as compras envolveram algum desembolso ou se apenas fizeram circular um dinheiro que já existia em fundos e operadoras de empréstimos ligadas a Vorcaro, Quadrado e Mansur, no chamado “fluxo de operações circulares”.
CVM cria grupo para analisar informações sobre Banco Master, Reag e entidades ligadas ao caso
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Investigações
As operações foram informadas ao Banco Central em abril do ano passado ? um mês após o anúncio de que o BRB queria comprar o Master. A PF suspeita de um esquema do tipo “pirâmide”? dentro do sistema financeiro, e vê uma coincidência com o calendário da tentativa de o BRB adquirir o Banco Master.
Isto porque o BRB anunciou em março de 2025 a aquisição de 58% do Master ? as aquisições de ações do BRB pelos fundos e pessoas ligados a Vorcaro começou no mês seguinte, em abril.
A PF suspeita que Vorcaro, ao tentar vender o Master e comprar ações no BRB, queria manter seu poder no banco que estava adquirindo sua antiga instituição.
Com as operações, ele tinha quase 5 % das ações, e ainda poderia comprar as ações dos outros dois e chegar a 12% ? se tornando um sócio minoritário relevante.
Os investigadors querem saber porque Vorcaro e os outros investigados preferiram uma operação tão complexa e difícil de rastrear a uma compra direta de ações do BRB.
O que diz o BRB
Em nota sobre a abertura do inquérito, o BRB afirmou que a auditoria encontrou ?achados relevantes que constam da primeira etapa do relatório?.
O banco declarou ainda que, ?com o intuito de resguardar seus interesses, recuperar créditos e ativos e obter o ressarcimento de prejuízos causados por agentes relacionados à operação Compliance Zero, vem adotando inúmeras medidas institucionais, administrativas e extrajudiciais?.
Fonte G1 Brasília